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Vigilante - Arcade Review - Por: Old Game Master:

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Pensamento Gamer: Os Gráficos são o mais importante?

POR QUE ALGUNS GAMERS ACHAM QUE O GRÁFICO É O FATOR MAIS IMPORTANTE DE UM VIDEOGAME/JOGO:

No começo da década de 80 o mundo dos videogames e jogos era muito diferente do que vemos hoje. Jogar era uma diversão descontraída que reunia os amigos diante de um aparelho de TV e verdadeiras disputas antológicas aconteciam entre torcidas e risadas. Naqueles dias "Plasma" era apenas um raio de uma arma de algum seriado de Ficção Cientifica ou desenho animado e LCD e HD não passavam nem perto dos televisores e transmissões, muitas vezes para conseguir a melhor definição de imagem, era preciso subir em cima da casa e ajustar a antena ou apelar para a velha "palha de aço" (bombril) na Antena Interna.

Quem começou com o bom e velho Telejogo sabe que alta definição de imagem e som não eram os atrativos dos videogames da época, restritos á apenas a pixels e sprites e um quase inaudivel som. O telejogo baseado no clássico Pong foi o ponto de partida para os videogames no Brasil, seguido mais tarde do Odyssey2, mas todo mundo sabe que o "estouro" veio com o Atari VCS 2600. Claro que um Odyssey2 não ficava devendo muita coisa para o Atari, mas o console era popular, virou uma febre rapidamente e muitos insistem em dizer que o Odyssey2 era inferior ao Atari ( em alguns aspectos talvez). Mas sucesso naquela época não dependia de gráficos, mas sim de marketing, algo que o Odyssey2 da Phillips deixou e muito á desejar.

















TELEJOGO: Como a maioria dos usuários no Brasil o conheceram.
















TELEJOGO: Em sua imagem em cores, o verde e amarelo dá até uma ar de Brasil, não é?

Ninguém discutia definição de gráficos de um jogo ou a potência de seus videogames, até por que o número de consoles era limitado, e quase todo mundo tinha o mesmo videogame, apenas mudando a marca. Vivíamos sobre o "Mito" de que videogame era algo prejudicial... para a TV, e nunca para o jogador, havia pais que compravam videogame para seus filhos para prender eles em casa e escapar dos "perigos" da rua, de modo que, quando a TV P/B era substituída pela TV em cores, recebíamos como herença o aparelho ultrapassado, ob a promessa que aquele era melhor para jogar, pois "aguentava" mais o videogame.

A gente podia não concordar muito com aquilo, mas o simples fato de poder ter um TV no quarto e um modo de jogar videogame, para nós era sinônimo de "luxo". Abaixo podemos conferir um dos modelos de TV que eu ( e muitos tiveram em mão para jogar videogame na época, eu tive um modelo mais antigo, mas não consegui as imagens):
Mas sempre tinha algum amigo mais afortunado, que tinha um TV colorida, e comparações sempre existiam ( não tem como escapar delas não é?) quando jogavamos numa TV Colorida sendo que costumavamos jogar num TV P/B. As comparações gráficas vinham á tona, a alta definição era melhor numa concepção geral. Acho que á partir daí muitos gamers criaram o conceito de que os gráficos mais bem definidos são os melhores.Mas a verdade é que ninguém queria saber ou levava isso seriamente, o grande barato era jogar, era ter um videogame e jogos.
Dramatização do jogo Enduro -Atari VCS 2600- nos monitores em imagens Preto e Branco e Colorida respectivamente. Embora muitos digam o contrário, não importava as cores, Enduro e tantos outros jogos do sistema eram divertidos do mesmo jeito.

Mas o avanço da Tecnologia sempre nos prometeu o mais realista e a imagem mais bem definida.Com os videogames isso também foi levado ao pé da letra. Quando a indústria dos videogames lançava um novo console, a promessa era sempre superar a CAPACIDADE do console, mas para tal precisava apelar para os GRÁFICOS dos jogos. Por isso eram criadas campanhas de Marketing para instigar o consumidor á comprar X console, fazendo com que ele pensasse estar comprando sim, um equipamento de ponta e de última geração, mas com Gráficos e definições que superava a CONCORRÊNCIA.

Vejam que o Atari foi um sucessor do Odyssey2, e seu único concorrente foi o Intellivision, mas se tratando do Brasil, o único concorrente do Atari além deste, era ele mesmo. Pois a Polyvox que fabricava o aparelho no Brasil e era o design mais próximo do aparelho original, tinha como concorrentes outras empresas que fabricavam o mesmo console com designs diferentes, ou seja tudo ficava na mesma. Com o Advento da era 8 bits a Atari, até então soberana e absoluta perdeu terreno para empresas como Sega (Tec Toy) e uma entrada informal ( para não dizer clandestina) da Nintendo no Brasil. Com o estabelecimento de uma concorrência, era preciso criar uma estratégia de marketing voltada para uma idéia de quem era melhor, mesmo ambos tendo a mesma capacidade de 8 bits.

Temos que abrir uma ressalva para os Computadores Pessoais (PC's). No meio tempo em que os videogames domésticos eram uma forma de entretenimento gamístico dominante, os PC's já começavam a explorar um mercado de jogos para este sistema. Porém, diferente do público que jogava videogame, o usuário do PC estava procurando uma ferramenta de trabalho, e como OPCIONAL uma interface de jogos. Os jogos serviam apenas para aproximar o público mais jovem aos PC's com o intuito de abrir uma porta para este público ao sistema. O usuário de PC sempre estava á par da capacidade de sua máquina e sabia que podia fazer Up Grades nas mesmas, tanto para a parte de softs e hardwares. Diferente dos videogames que tinham uma margem consideravel de tempo para um modelo mais avançado ou geração, ganhar o mercado.

O Master System no Brasil veio com uma estratégia de Marketing com o título: "É um jogo mas poderia ser verdade..." tudo baseado no periférico dos jogos 3D ( que não eram 3D coisa nenhuma). Mas vejam que este marketing estava voltado aos gráficos e não ao periférico em si, já que prova disso foi a quantidade baixa de jogos para o mesmo. Mas dai já começava um disputa gráfica.

O Nes veio ao Brasil de uma maneira informal á principio e ridícula no seu final, já que primeiro foi introduzido o sistema 16 bits de maneira oficial para depois lançarem um modelo oficial do 8 bits, que já foi descontinuado em outros países. Mas nesse meio tempo os "clones" já faziam a popularidade e sala ao sistema Nintendo, mesmo as revistas especializadas faziam propaganda dos clones da Nintendo e anos mais tarde, a mesma mídia os chamou de "piratas". O Nes contou com vários periféricos e estratégia de marketing, mas muito pouco foram conhecidos.

Eu me lembro que eu achava um absurdo o Master System não ter o Tartarugas Ninja 2 (baseado no Arcade) e o Nes ter este jogo. Depois e mais tarde eu descobri, que o grande problema do Master não ter o mesmo jogo do Nes era mais voltado as Publishers e não ao console em si.
Super Mario Bros. e Alex Kidd in Miracle World, dois ícones e mascotes das plataformas Nintendo e Sega (respectivamente). Não interessa quem tinha os melhores e mais bem definidos gráficos, são dois jogos clássicos e aclamados por milhões.

As Revistas começaram á perceber que dois públicos haviam se formado: Os Segamaníacos e os Nintendistas, e como elas já sabiam que cada um defendia seu sistema com unhas e dentes, tratou de colocar lenha na fogueira criando edições diferenciadas para cada sistema. Cada uma criticava os gráficos ou o jogo da outra, de tal forma que não só no Brasil, mas o mundo presenciou a RIDÍCULA disputa entre estes dois públicos. Videogame definitivamente deixou de ser diversão e virou apenas: "Quem faz os melhores jogos com gráficos mais definidos."

O que hoje é perfeitamente normal e aceitável no mundo dos games hoje e na imagem acima, era uma manifestação agressiva na década de 90. Tudo não só pela disputa e concorrência dos consoles, mas por causa de um disputa entre quem era melhor ou quem tinha os GRÁFICOS melhores.

Muitos "especialistas" afirmam que na era 8 bits, o que a Nintendo não tinha em gráficos tinha em jogos. Com o advento da era 16 bits isso se inverteu, e os mesmos "especialistas" disseram, o que o Mega Drive não tem possui de gráficos em relação ao Snes tem em matéria de Som. Os meios de comunicação e imprenssa de época sempre procuravam mesclar as informações técnicas distorcidas com alguma alegação ao gráficos.

Não condenamos a metodologia de trabalho das revistas. Afinal elas sobrevivem graças aos patrocinadores e ao suporte de empresas de games que lhe pagam alguma soma para manterem seus trabalhos. Mas a maneira lamentavél de como eles jogavam os jogadores uns contra os outros através de suas comaprações GRÁFICAS das versões dos consoles, foi um capítulo lamentavél na nossa história dos videogames. O Brasil aderiu á isso e alimentou isso, mas grande culpado também é o público e o leitor, que não buscava informações e acabava abraçando estas idéias. Muitos ainda mantém este tipo de mentalidade, e não acordam que hoje, as duas comadres que brigavam uma com a outra, apertaram as mãos e comem no mesmo cocho.

E não só este legado de disputa entre sistema ficou entre os jogadores, que trocaram de sistema, mas mantém a mesma mentalidade de quase 18 anos atrás, mas ficou a idéia que videogame é apenas uma definição gráfica mais ou menos avançada é essencial para um bom jogo e console.

Com o advento da Multimídia (CD) e até a Geração atual, tudo o que mais interessa ao jogador não é a velocidade de processamento, hardware, software e etc. E ele saber como serão os gráficos e se ele é ou não melhor que a versão do outro console.

Videogame se perdeu no meio do caminho, não sabemos ao certo se videogames e jogadores, se perderam, por ficarem ofuscados com os gráficos realistas e de alta definição. Mas aqui nós sabemos que videogames vieram de uma época onde não existiam gráficos e máquinas avançadas,mas que o seu verdadeiro valor e mérito, esta em sua diversão, que desafia o moderno e o tempo e se manterá eterna na história daqueles que realmente souberam compreender o seu sentido.

2 comentários:

Henrique disse...

Como jogador desde a época do Atari,venho acompanhando a evolução dos vídeogames da seguinte maneira :
-gráficos
-som
-controle
Através disso,muitos tem suas opiniões à respeito dos vídeogames e jogos.
Afinal,o que seria um bom jogo sem um bom gráfico?
Temos jogos onde o enredo é interessante,a jogabilidade é até razoável,mas os gráficos põem tudo a perder.

quebra-ossos disse...

Não concordo. O que importa não são os gráficos, e sim a jogabilidade, a diversão. Muitos esquecem que a principal função de um jogo eletrônico é DIVERTIR ENSINANDO e ENSINAR DIVERTINDO!

Enduro e Top Gear são melhores que Need For Speed Carbon. Simplesmente MELHORES!

Há toneladas de jogos em FLASH pela internet, alguns com gráficos super toscos. Mas todos contam com público cativo. Porque são divertidos.